Quem tenha ido ao Centro de Saúde de Santo António no Laranjeiro no início do mês deparou-se com esta informação afixada no balcão:

"Aos utentes sem médico de família

Informamos que neste momento não é possível marcar consulta para os utentes sem médico de família. Sendo que não é da responsabilidade desta unidade a colocação de médicos.

Não havendo previsão da colocação de médicos por parte da Direção do ACES-Almada /Seixal.

Assinado:
A Coordenação"

Perante esta informação, não sendo possível uma consulta no Centro de Saúde da nossa área de residência, sem o SAP a funcionar, a única alternativa são as urgências do Hospital Garcia de Orta, onde o tempo de espera chega, muitas vezes a ser de 8 a 16 horas.

O Centro de Saúde de Santo António, em agosto, contava com 22.101 (vinte e dois mil cento e um) inscritos, dos quais 10.409 (dez mil quatrocentos e nove) não tinham, e continuam a não ter, médico de família, isto é, 47,1% dos utentes não têm médico de família; num serviço de saúde em que, atendendo à faixa etária, 57.74% dos utentes são crianças ou idosos dependentes.

É esta a razão pela qual se têm vindo a assistir a filas de espera à porta do Centro de Saúde ainda antes de ele abrir, com utentes que vão para a porta do Centro de Saúde às 5 da manhã para poder garantir uma consulta para si, para os seus filhos, ou para outro familiar. Esta situação é bem reveladora das políticas de destruição do SNS levadas a cabo pelos sucessivos governos, com o encerramento de centros de saúde, o fecho dos Serviços de Atendimento Permanente (SAP), a diminuição dos horários de atendimento, o ataque contra os profissionais de saúde.

O Serviço Nacional de Saúde necessita de investimento, de meios e de recursos humanos. Apesar de algumas medidas tomadas, há problemas reais no SNS, faltam profissionais e equipamentos, agravam-se as listas de espera e os utentes são empurrados para os serviços de saúde privados porque o SNS não consegue responder às suas necessidades. Quando o que faz falta é por fim à transferência da prestação de cuidados de saúde do SNS para os grupos económicos, pondo fim à escandalosa drenagem de dinheiros públicos para esses grupos. O que é preciso é investimento na melhoria do SNS.

Perante esta situação, a CDU levou à ultima Assembleia de freguesia do Laranjeiro Feijó uma moção onde exige ao Governo a contratação de médicos e outros profissionais de saúde para o Centro de Saúde de Santo António no Laranjeiro, a tomada de medidas concretas de valorização do Serviço Nacional de Saúde e dos seus profissionais, com a dignificação das carreiras, o investimento na modernização de equipamentos e instalações e a implementação de uma verdadeira rede de cuidados primários.

A CDU exortou também a Câmara Municipal de Almada a exigir ao Governo a colocação de mais médicos e de outros profissionais de saúde no Centro de Saúde de Santo António no Laranjeiro e questionou-a acerca das diligências tomadas para a construção do Centro de Saúde do Feijó, para o qual existe um terreno disponível na Rua Maria Judite de Carvalho.

A inacção da actual mairia do PS na Câmara na reivindicação ao governo de melhores condições de prestação de cuidados de saúde às populações é reveladora de uma fidelidade partidária que representa um retrocesso com consequências previsiveis.

A CDU não desistirá de lutar para que nesta, como noutras matérias, os interesses das populações sejam colocados em primeiro lugar e não baixaremos os braços enquanto as suas legítimas aspirações não tenham uma resposta.